Tem sempre uma pergunta sobre a natação feminina que ninguém consegue responder de forma objetiva.

Na história olímpica, o Brasil conquistou a maioria de medalhas no masculino, e a primeira medalha feminina veio em Atlanta/96, no vôlei de praia. Desde então, homens ganharam mais que o dobro das medalhas das mulheres, mas há evolução das atletas, mostrando que temos campo para crescer. Em Pequim/2008, foram dois ouros – Maurren Maggi (atletismo) e vôlei feminino. Em Londres/2012, mais dois: Sarah Menezes (judô) e o vôlei.

Na natação, infelizmente, o crescimento não se traduziu em medalhas, apesar da melhoria de resultados/tempos e de vagas em finais e semifinais. Em Atenas/2004, Joanna Maranhão e Flávia Dellarolli foram finalistas nos 400 m medley e 50 m livre, respectivamente, assim como o revezamento 4×200 m livre. Como a comparação é por medalhas, a distância é grande, com a geração de Cesar Cielo e Thiago Pereira.

Na equipe do Mundial de Barcelona (28/7 a 4/8), são 13 homens e 10 mulheres. Apesar do equilíbrio, a realidade de medalhas está no masculino. O objetivo das meninas, na minha opinião, é chegar às finais e melhorar marcas pessoais.

Nas águas abertas, passamos por momento histórico, que contradiz com o das piscinas. Poliana Okimoto ganhou prata e ouro e Ana Marcela ficou com bronze e prata, nas provas de 5 km e 10 km, respectivamente. Poliana ainda levou o bronze no revezamento de 5 km por equipes. Sem dúvida, temos um começo promissor para os Jogos de 2016.

Voltamos para as piscinas e à tradicional pergunta: por que a natação feminina não consegue os resultados do masculino? Não tenho resposta definitiva, mas consigo relacionar alguns argumentos:

1º – Precisamos aumentar o número de atletas praticando esporte de alto rendimento. Isso é obtido com trabalho intenso de motivação aos jovens talentos, lapidando a formação de referências e mudança de modelo mental, além de espaços adequados e modernizados. Também é necessária melhor capacitação profissional.

2º – Falta de referências femininas. O masculino sempre teve nomes que ajudaram a projetar novos talentos, como Manuel dos Santos, eu, Fernando Scherer, Cesar Cielo, Ricardo Prado e Thiago Pereira, além dos medalhistas no revezamento 4×200 m livre em Moscou/80. A natação feminina em águas abertas tem hoje duas referências e pode ajudar, mostrando que é possível chegar a um resultado a nível mundial.

3º – Vaidade e interferência dos pais têm peso significativo. Há um tempo, uma mãe me disse que a garota não continuaria nas piscinas porque ficaria com ombros largos e ela achava feio, além de se preocupar também com o que os outros achariam. Essa postura não é fato isolado e ocorre com frequência. As atletas que estão no alto rendimento gostam de se cuidar e devem. A vaidade não atrapalha, apenas se começar a afetar treino.

4º – A competição com modalidades como vôlei e basquete diminui o ingresso de atletas mais altas para a natação. Elas acabam indo para onde existe uma referência de ídolos.

5º – Pode ser que o amadurecimento antecipado das mulheres afete decisões na puberdade. Com a adolescência chegando antes dos meninos, as vontades e os desejos naturais se misturam com o esporte. Os homens passam por isso mais tarde, quando estão mais enturmados no ambiente esportivo. Por não ter uma cultura esportiva solidificada, o esporte feminino é o mais prejudicado.

6º – Evolução da infraestrutura, com uma modernização geral. Precisamos de piscinas com padrão mundial, tanto para competições quanto para treinamentos.

Gustavo Borges tem 4 medalhas olímpicas e 19 pan-americanas. Criou um método que ensinou mais de 170 mil crianças e jovens a nadar e está presente em mais de 250 clubes, escolas e academias de 20 estados do Brasil 

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