Gestão Esportiva e sua governança.

O modelo de gestão nas instituições esportivas precisa ser repensada.  Eu tinha um treinador que dizia:  “Se você fizer aquilo que sempre fez, sempre estará onde sempre esteve”.  Funciona para um treinamento de alto rendimento e para gestão. Sabemos que o Rugby tem um modelo que serve de exemplo para muitas instituições e eu particularmente gosto muito deste formato onde a governança e o profissionalismo fazem parte do contexto de como a entidade é tocada.   

Tenho conversado muito com Cesar Cielo e Thiago Pereira, e na semana passada tivemos a oportunidade de estar juntos com o presidente dos Correios para trazer soluções que achamos adequadas para o um caminho eficiente de uma gestão esportiva. Grande parte da inspiração veio do modelo do Rugby e da ajuda de Sami Arapi, que nos ajudou com um formato que acreditamos em termos de governança.  

O modelo é objetivo: foco num conselho administrativo, conselho consultivo e um CEO que toca a operação, alem de outros aspectos fundamentais para o sucesso que estão listados abaixo. Trabalhando neste modelo governança,  todo o resto acompanha.  Ou seja,  começa pelo modelo de como gerir as coisas, e depois com adequações, se constrói algo forte e estruturado.  Muito importante fazer esta transformação com a participação de todo setor que compõe os esportes aquáticos, federações, clubes, atletas… Abaixo o modelo completo. 

Hoje temos leis e projetos que nos oferecem uma luz para o direcionamento das entidades.  Temos que usar isso.  Lei Pelé com a cláusula 18-A e o  Pacto Pelo Esporte são alguns exemplos que temos a nosso dispor para tocar o esporte pra frente.  A pauta positiva para o esporte é necessária.  Essa estruturação e necessária não só para um momento difícil que passa os esportes aquáticos, mas também para instituições que estão indo bem e sem problemas.   Não faz diferença, eu acredito que este modelo ajuda a construir algo melhor e instituições sólidas.  

 

 

 

Práticas de Governança e sugestão para CBDA

 Documento assinado por Cesar Cielo, Thiago Pereira e Gustavo Borges com a assessoria jurídica de Sami Arapi, ex-presidente da Confederação de Rugby. 

As entidades esportivas buscam na excelência da gestão alcançar seus objetivos maiores.  Essas entidades possuem características únicas pois competem em âmbito mundial e são colocadas a prova a cada instante. Neste momento a CBDA passa por um momento delicado e o foco na governança é a chave da excelência,  devendo buscar nas mais modernas práticas de boa governança os princípios para nortear sua gestão.

Este documento, baseado no que acontece hoje na Confederação de Rugby,  e que é na prática um modelo vitorioso, procura sugerir práticas de boa governança que pode ser adotada pela CBDA na busca da excelência na gestão e a maximização dos resultados.

Neste documento optamos por usar “Conselho de Administração” e “CEO”, mas é sabido que algumas organizações utilizam a nomenclatura de Conselho Deliberativo e Secretário Geral ou Superintendente Executivo, apenas para citar alguns exemplos.  Isso pode ser ajustado de acordo com a característica da CBDA respeitando este conceito de governança.

Mas, de uma coisa estamos plenamente convencidos: A CBDA optando por uma governança superior, por uma gestão transparente que preze a equidade e o “accountability”, estará dentre as mais vitoriosas, entre as vencedoras e dentre aquelas capazes de sustentar longos períodos de sucesso.

A maioria das potências esportivas é gerida por um Conselho de Administração (“CA”), pela Presidência (cargo integrante da Diretoria Estatutária) e por profissionais de mercado liderados por um executivo chave, o CEO.

 

O poder decisório das entidades pertence aos membros com direito a voto, que deve ser plural (Federações, Clubes, Atletas, Árbitros e/ou outras instituições) e que se manifestam em Assembleia.  A Assembleia Geral é sempre soberana.

 

 

  • A governança mais apropriada para a gestão da CBDA deve ser implementada da seguinte forma:

 

  • Assembléia Geral (“AG”): é o conjunto de representantes de uma comunidade que possuem poderes de deliberação final.  Em se tratando de uma entidade esportiva, a Assembléia é composta e instalada por meio das Federações Esportivas e/ou Clubes.

 

  • CA: composto por membros independentes (sem vínculo com membros com direito a voto; pessoas de ilibada reputação em seus segmentos), bem como por membros não independentes, todos eleitos pela AG. Os membros do CA não serão remunerados; cooperarão com a gestão do esporte no Brasil de forma “pro bono”.

 

  • CEO/Diretoria e staff: totalmente profissionalizados, reportam-se a ao CA.  Essas pessoas devem ser contratadas no mercado, por meio do Comitê de RH ou de Nomeação.  O CEO e respectiva equipe serão responsáveis por interagir com os Comitês de Apoio, visando elaborar o plano de ação de curto, médio e longo prazos da entidade, bem como sua respectiva orçamentação público-privada.

 

  • Conselho Consultivo – Órgão não estatutário que se reúne uma ou duas vezes ao ano para discutir a estratégia global da Entidade, formado por executivos e profissionais liberais (ex-atletas ou não) influentes, de destaque e formadores de opinião em suas respectivas áreas de atuação, com possibilidade de “abrir portas e canais de comunicação” com autoridades e patrocinadores entre outros stakeholders.

 

  • Conselho Fiscal (CF): órgão fiscalizador independente do CA e do CEO/equipe, que busca, através dos princípios da transparência, eqüidade e prestação de contas, contribuir para o melhor desempenho da organização.  Auxilia a implementação de uma política ativa de boas práticas de governança direcionada especialmente para a transparência e controle dos atos internos da entidade, quando o órgão e os seus membros atenderem a requisitos e regras de funcionamento que assegurem a efetividade de sua atuação e, especialmente, sua independência.

 

 

  • Dos Conflitos de Interesses:

 

  • O Estatuto Social da entidade deverá impedir que familiares até o 3º grau de parentesco sejam contratados pela entidade.
  • Empresas ligadas direta ou indiretamente aos membros do Conselho Consultivo, CA, CEO ou staff não devem ser contratadas pela entidade.
  • Assim como o Presidente do CA deve desincompatibilizar-se da função executiva de liderança após 2 mandatos, recomendamos que o CEO não possa atuar na Presidência do CA durante o período de 1 mandato após o final de seu contrato. Caso venha a ser eleito para o CA, o CEO não deve exercer a Presidência deste órgão em seu primeiro mandato após encerrar suas funções como CEO.
  • Algumas Entidades optam por ter seu Comitê de Auditoria respondendo ao Conselho Fiscal. Em todos os casos recomenda-se que a Auditoria Independente seja contratada diretamente pelo CA ou CF, evitando-se assim um possível conflito de interesses com os gestores.

 

Da Transparência das Informações:

A entidade que opta pelas boas práticas de Governança adota como linhas mestras a transparência, a prestação de contas, a equidade e a responsabilidade corporativa.  Para tanto, o CA deve exercer seu papel, estabelecendo estratégias para a entidade, fiscalizando e avaliando o desempenho da gestão e escolhendo a auditoria independente.

 

Do Planejamento Estratégico

 

Recomenda-se que a CBDA tenha suas ações norteadas por planejamento de médio e longo prazos (estes últimos com no mínimo mais de dois ciclos olímpicos) e que estes documentos sejam continuamente atualizados e aprovados pelo CA.